Metaverso e web 3.0: por que a empresa não pode esperar cinco anos

Em resumo
Fernando Souza defendeu que o metaverso está na fase em que o mercado mobile esteve nos primeiros anos do iPhone: a tecnologia já funciona, mas a utilidade ainda está sendo descoberta pelo ecossistema de desenvolvedores, e não pelas plataformas que fabricam o hardware. Ele argumentou que a web 3 se parece com a web 1 por ser disruptiva e estranha, enquanto a web 2 foi uma transição confortável, e que o ganho prático virá menos da realidade virtual e mais da realidade aumentada em óculos de uso diário. Para empresas, sustentou que o custo de errar hoje é praticamente zero e que adiar a entrada em cinco anos significa chegar atrasado, porque planejamento empresarial trabalha em horizontes de dez a vinte e cinco anos.
Sobre esta participação
Primeira participação de Fernando Souza no MetaCast, gravada nos estúdios da Avenida Paulista logo após o Carnaval de 2023. Apresentado como “Professor Blockchain”, ele reconstrói a trajetória desde 1999, quando trabalhar com digital significava fazer site, até a consultoria e as pós-graduações em que leciona. A conversa gira em torno de uma discussão franca com os apresentadores sobre a falta de utilidade evidente no metaverso atual. Fernando responde comparando ciclos de tecnologia, defende a realidade aumentada como próxima camada útil e comenta o recuo da Microsoft, os óculos da Apple e a aposta da Meta. No fim, descreve como conduz projetos de web3 na consultoria e resume a tese do livro “Metaverso e Web 3.0”.
O que foi discutido
- Curva de adoção de tecnologia comparada à do mobile e dos aplicativos
- Realidade aumentada em óculos de uso diário como próxima camada útil
- Recuo da Microsoft do metaverso e disputa entre games, IA e ambientes imersivos
- Ecossistemas fechados de hardware e o efeito sobre a adoção
- Web 3 como repetição do caráter disruptivo da web 1
- Publicidade e mobiliário urbano dentro de ambientes imersivos
- Maturidade das equipes de marketing em relação a web3 e NFT
- Capacitação de times como etapa anterior a qualquer projeto de NFT
- Custo baixo de experimentação em metaverso e blockchain
- Metamarketing e a tese do livro Metaverso e Web 3.0
O que Fernando Souza disse
“Os óculos que a gente tem hoje são meio que o tijolão da Motorola, aquele celular que todo mundo lembra. Durante um tempo a gente usou aquilo e aos poucos eles foram diminuindo.”
“A web 3 é muito parecida com a web 1: ela é disruptiva e estranha, assim como a web 1 foi, porque a gente estava mudando muito paradigma.”
“Daqui a cinco anos, se você for olhar para o metaverso, você já vai estar muito atrasado, porque vai ter um monte de gente correndo há cinco anos.”
Perguntas frequentes
Qual o problema real que o metaverso resolve hoje?
Fernando Souza reconhece que a funcionalidade ainda está sendo descoberta e compara com os primeiros aplicativos de celular, que serviam para pouca coisa antes de o ecossistema encontrar usos de negócio. Ele aposta que o ganho prático aparecerá primeiro na realidade aumentada, com óculos que mostram informação sobre o que está diante do usuário, e não na realidade virtual imersiva. Segundo ele, os próximos cinco anos são o período em que essas funcionalidades devem se firmar.
Quanto custa para uma empresa começar a testar metaverso e web3?
Segundo Fernando Souza, o custo de entrada é praticamente zero. Ele compara criar uma presença em plataformas de metaverso aberto à criação de uma conta de Instagram, e descreve o caminho de instalar uma carteira, entrar em um marketplace e comprar um NFT de poucos centavos de dólar apenas para ter a vivência. O argumento é que este é o momento de errar barato, antes que a experimentação fique cara.
Como as empresas chegam à consultoria pedindo projetos de web3?
Ele relata que a maioria chega dizendo que quer estar no assunto sem saber o que quer fazer, repetindo o padrão de 2005 e 2006 com redes sociais. O processo dele começa dando dois ou três passos atrás: verificar se o time já comprou um NFT, se tem carteira, se entende blockchain. Só depois da capacitação vem o projeto, que costuma ser uma ativação em metaverso, um evento ou uma coleção de NFT ligada a um programa de vantagens.
Marcas e tecnologias citadas
Empresas e marcas: Meta, Facebook, Microsoft, Apple, Google, Skype, Mojang, Roblox, Ray-Ban, Netflix, Instagram, WhatsApp, Samsung, Uber, iFood, Mercado Livre, Alibaba, Americanas.
Tecnologias e plataformas: Metaverso, Web 3.0, Blockchain, NFT, Realidade aumentada, Realidade virtual, Inteligência artificial, ChatGPT, Meta Quest, Google Glass, MetaMask, Tokenização, Decentraland, Spatial, Cryptovoxels.
Participantes: Giorgio, Vitor Ferreira, Bill Gates, Steve Jobs.
Assista na íntegra: Fernando Souza (Professor Blockchain) – MetaCast #34, no canal Metacast.
Fernando Souza é consultor, professor e palestrante de negócios digitais, marketing e inovação, e autor do livro Metaverso e Web 3.0.
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